I Jornada do Grupo de Pesquisa Dramaturgia, Teatro e Performatividades – PPGLI/FALLA/UEPB

18 de agosto de 2026

A I Jornada do Grupo de Pesquisa Dramaturgia, Teatro e Performatividades – PPGLI/FALLA/UEPB tem como objetivo discutir questões metodológicas e teóricas relacionadas à investigação em acervos e com base em fontes materiais para a tessitura de uma revisão da historiografia do teatro, especialmente com o fito de valorizar a cultura teatral e romper com a “ignorância ativa” (no dizer de Dubatti) que cerca esta área, na medida em que ela se volta a fenômenos do reino do efêmero. Neste sentido, o estudo dos acervos ilumina a trajetória de artistas da cena e devolve ao conhecimento a obra de dramaturgos e dramaturgas relegados à poeira e aos papéis

Arte: Diógenes Maciel

acumulados.

A Jornada contará com atividades nos dias 19 e 21 de agosto, reunindo pesquisadores para discutir dramaturgia, teatro, acervos e pesquisas em andamento.

 

📌 19/08 – quarta-feira | Sala 318 – CAPF/UEPB

🕘 9h – Acervos, documentos e pesquisas em dramaturgia e teatro, com a Profa. Dra. Fabiana Fontana (UFSM)

🕝 14h30 – Seminário de Pesquisas em andamento, sob coordenação da Profa. Dra. Monalisa Colaço

Arte: Diógenes Maciel

📌 21/08 – sexta-feira | 9h | Miniteatro Paulo Pontes

Como parte do 51º Festival de Inverno de Campina Grande, teremos a mesa-redonda Os Festivais e o pensamento teatral de Paschoal Carlos Magno, com Eneida Maracajá, Fabiana Fontana e Diógenes Maciel.

Sobre a convidada

FABIANA SIQUEIRA FONTANA

Possui graduação em Artes Cênicas – Bacharelado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/UNIRIO, mestrado e doutorado em Artes Cênicas pela mesma instituição. É formada também em Arquivologia pela Universidade Federal Fluminense. Professora na Universidade Federal de Santa Maria, no Departamento de Artes Cênicas. Autora do livro Teatro do Estudante do Brasil de Paschoal Carlos Magno, e uma das organizadoras de Arquivos e coleções privados Cedoc/Funarte: guia geral, ambos publicados, em 2016, pela Funarte. Tem experiência na preservação de acervos teatrais e, como pesquisadora, dedica-se às questões relativas à memória e história

Arte: Diógenes Maciel

do teatro brasileiro, com ênfase no patrimônio documental das artes cênicas e no movimento amador.

A MESA

A presença do intelectual, escritor, diplomata, dramaturgo, crítico de teatro, jornalista, homem de teatro, empreendedor e animador cultural Paschoal Carlos Magno (1906-1980), nos primeiros festivais de Teatro realizados em Campina Grande, teceu uma rede de contatos, colaborações, mas, especialmente, de afetos, em que se cruzam as histórias de nossa cena teatral no último quartel do século XX e, também, as histórias da dramaturga Lourdes Ramalho e de Eneida Agra Maracajá. Falar sobre estes liames, então, é falar de legado e de memória – mas, também, do teatro como espaço de convivência. Contudo, destacamos que, nos últimos anos, a memória de nossos palcos anda embotada e, assim, precisamos seguir um preceito dito pelo próprio Pachoal, quando, em 1977, afirmava que, ao morrer, “se você não tiver alguém para trabalhar por sua memória, você é absolvido no esquecimento”. Nesta direção, ao trazermos para o diálogo a pesquisadora Fabiana Fontana, responsável por pesquisas de fontes essenciais e que nos ajudam a “olhar para trás” (tais quais as que restam no CEDOC/Funarte, e, também, as que foram divisadas em seu livro O Teatro do Estudante do Brasil de Paschoal Carlos Magno, bibliografia essencial para qualquer iniciativa que recuse o esquecimento), pretendemos reavivar a memória em face daquele que foi presença marcante em nossa cidade e em nosso primeiros Festivais. Não podemos, então, esquecer que era este um outro tempo: o teatro não estava centrado na figura de um astro principal, mas na condição de um grupo formado por um elenco de iguais (quase sempre, gente anônima), muitas vezes se atribuindo ao texto teatral a razão de ser de uma montagem – ou seja, os atores, como queria Paschoal, passariam a estar a serviço de uma peça, e não o contrário. Neste sentido, tornava-se este intelectual o ponto de difusão do amadorismo teatral, estudantil ou não, quando tal práxis era entendida como um modo de fazer teatral orientado e desinteressado, mas não menos importante e interessante. Talvez seja este um ponto de inflexão e de reflexão necessário aos nossos dias, de novo.