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Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação

Pesquisa com participação de professor da UEPB é destaque na Revista Nature Scientific Reports

17 de setembro de 2020

A revista científica Nature Scientific Reports publicou, nesta quinta-feira (17), artigo que reuniu pesquisadores de diferentes universidades em um estudo abrangente revelando como as guerras civis interferem na vida selvagem em países afetados por conflitos. O professor do Departamento de Biologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Rômulo Alves, é co-autor do estudo, juntamente a pesquisadores da University of East Anglia, no Reino Unido; Universidade Agostinho Neto, em Angola; e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

O professor da UEPB destacou a importância do estudo para a área de Etnozoologia, pelo caráter inédito da pesquisa, além da parceria com as universidades estrangeiras e a qualidade da revista Nature, pela qualificação e coragem dos pesquisadores envolvidos no projeto. Segundo ele, as guerras civis muitas vezes coincidem com locais de biodiversidade global, porém pouco se sabe sobre como elas afetam a vida silvestre.

O estudo atraiu conhecimentos ecológicos locais para avaliar pela primeira vez as principais consequências de uma prolongada guerra civil no Sudoeste da África sobre os mamíferos da floresta e savana, usando Angola como estudo de caso. O país é o lar de pelo menos 275 espécies de mamíferos, muitos deles historicamente caçados pelas comunidades locais antes, durante e depois da guerra civil angolana, intermitente de 1975 a 2002.

O aumento do acesso às armas automáticas e a suspensão das patrulhas anticaça foram as principais causas do colapso da fauna selvagem, enquanto a instalação de bases militares dentro das principais áreas de conservação, a caça excessiva de mamíferos de grande porte e os novos assentamentos de refugiados deslocados também afetaram fortemente as espécies.

Os pesquisadores mostraram que os principais impactos das guerras civis sobre os mamíferos nativos costumam ser indiretos, decorrentes de mudanças institucionais e socioeconômicas, em vez de táticas militares diretas. O estudo sugere que os conflitos podem ter impactos positivos e negativos sobre as populações de vida silvestre nativa, dependendo das escalas de espaço e tempo, mas a tendência geral é negativa.

Em seu modelo de como as guerras civis afetam a vida silvestre, os autores explicam que a guerra civil, além dos inúmeros malefícios humanos, sociais e econômicos, resulta também em declínios nas indústrias extrativas, como empresas de petróleo, mineração e agronegócio. Deste último aspecto, se beneficia a vida silvestre. As zonas desmilitarizadas e de minas terrestres desestimulam severamente os assentamentos humanos e a ação de caçadores, criando assim potenciais refúgios para a vida silvestre. Este seria o ponto positivo em meio aos grandes danos, de acordo com o professor Rômulo.

Impactos
Os autores alertam que, mesmo durante os tempos de paz do pós-guerra, as populações de mamíferos silvestres não conseguirão se recuperar enquanto a população que vive em países devastados pela guerra permanecer armada e os regulamentos de gestão da vida silvestre não puderem ser cumpridos.

Na principal área protegida de Angola, no Parque Nacional da Quiçama e Reserva de Caça da Quiçama, a abundância de 20 das 26 espécies de mamíferos silvestres estudadas foi 77% menor após a guerra em comparação com a linha de base do pré-guerra, particularmente para espécies de grande porte, como os elefantes em ambientes de savana aberta. Esse declínio não foi revertido até o final do período pós-guerra, entre 2002 e 2017.

O professor Rômulo ainda destacou que o estudo evidencia que guerras têm fortes impactos sociais e econômicos sobre as populações humanas, mas também grande efeito negativo sobre a fauna silvestre, portanto sendo um tema de amplo interesse conservacionista. Nesse âmbito, pesquisas etnozoológicas são fundamentais para acessar os diferentes tipos de impactos desses eventos.

Pesquisadores
O professor Rômulo Alves é orientador de Franciany Braga-Pereira, que com ele, delineou o projeto de pesquisa. Francianny esteve em Angola para condução dos estudos. Atualmente, Rômulo Alves é professor da UEPB, atuando nos programas de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da UFPB, Ecologia e Conservação da UEPB e Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema/UFPB-UEPB). É um dos editores da revista Ethnobiology and Conservation e faz parte do corpo editorial do Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine e da revista Amphibian & Reptile Conservation.

Confira AQUI o link para o artigo completo.

Texto: Juliana Rosas (ASCOM/UEPB)

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