{"id":246,"date":"2019-07-02T08:00:30","date_gmt":"2019-07-02T08:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/pos-graduacao.uepb.edu.br\/ppgcf\/?p=246"},"modified":"2019-07-02T16:10:24","modified_gmt":"2019-07-02T16:10:24","slug":"pesquisas-de-farmacia-usam-palma-forrageira-e-sisal-para-tratar-lesoes-cutaneas-e-reduzir-colesterol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pos-graduacao.uepb.edu.br\/ppgcf\/pesquisas-de-farmacia-usam-palma-forrageira-e-sisal-para-tratar-lesoes-cutaneas-e-reduzir-colesterol\/","title":{"rendered":"Pesquisas de Farm\u00e1cia usam palma forrageira e sisal para tratar les\u00f5es cut\u00e2neas e reduzir colesterol"},"content":{"rendered":"<div style=\"width: 737px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" img-responsive\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Pesquisa-sisal-e-palma-8.jpg?w=840\" width=\"727\" height=\"392\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Palma \u00e9 processada em etapas at\u00e9 resultar em filmes polim\u00e9ricos para tratar les\u00f5es na pele<\/em><\/p><\/div>\n<p>O verde que brota no solo do Sert\u00e3o, Cariri, Agreste e Cumimata\u00fa paraibano ganha forma, nova cor e outras utilidades no Laborat\u00f3rio de Desenvolvimento e Caracteriza\u00e7\u00e3o de Produtos Farmac\u00eauticos (LDCPF) da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB). Resistente ao sol e \u00e0s intemp\u00e9ries clim\u00e1ticas, a palma forrageira e o agave n\u00e3o servem apenas como alimento alternativo para o gado em tempos de seca. Os dois vegetais, dispon\u00edveis abundantemente no semi\u00e1rido nordestino, podem ser usados com fins medicinais.<\/p>\n<p>Uma pesquisa desenvolvida por alunos e professores do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (PPGCF) e do Departamento de Farm\u00e1cia da UEPB tem testado o uso da palma e do agave para tratar les\u00f5es de pele e, at\u00e9 mesmo, reduzir a taxa de colesterol no sangue. A pesquisa, coordenada pelo professor Bol\u00edvar Ponciano Damasceno, \u00e9 financiada com recursos da Chamada Universal do CNPq e do PROPESQ UEPB, e j\u00e1 rendeu duas teses de Mestrado. Atualmente, dois trabalhos usando os mesmos produtos est\u00e3o em pleno andamento.<\/p>\n<p>A primeira pesquisa, intitulada \u201cFilmes de Celulose Extra\u00edda da Palma Forrageira contendo derivado N-acilidraz\u00f4nio para o tratamento de les\u00f5es cult\u00e2neas\u201d, utiliza palmas cultivadas na unidade experimental do Instituto Nacional do Semi\u00e1rido (INSA) e nos palmares de Monteiro. No Laborat\u00f3rio localizado no Complexo Integrado de Pesquisa Tr\u00eas Marias, no Centro de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e da Sa\u00fade (CCBS), no C\u00e2mpus de Bodocong\u00f3, a palma vira uma subst\u00e2ncia que pode ser preciosa para a sa\u00fade. Da planta \u00e9 extra\u00edda a celulose, que pode servir para v\u00e1rios benef\u00edcios na \u00e1rea farmac\u00eautica, como excipientes. A equipe do professor Bol\u00edvar optou por usar a celulose para produzir o filme polim\u00e9rico com a finalidade de us\u00e1-lo como meio cicatrizante de feridas ou queimaduras.<\/p>\n<div style=\"width: 737px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" img-responsive\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Pesquisa-sisal-e-palma-6.jpg?w=840\" width=\"727\" height=\"392\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><em>Em uma das fases do processamento da palma, o material gera o acetato de celulose, mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o do filmes polim\u00e9ricos para tratamento de les\u00f5es cut\u00e2neas<\/em><\/p><\/div>\n<p>Para extrair a celulose, a palma passa por v\u00e1rias etapas, incluindo o processo de secagem e pureza da planta. O primeiro passo \u00e9 triturar a droga vegetal e inserir nela v\u00e1rios produtos que retiram as subst\u00e2ncias que n\u00e3o sejam celulose. Ap\u00f3s ser triturada, a subst\u00e2ncia verde se transforma no acetato de celulose, utilizado na prepara\u00e7\u00e3o dos filmes polim\u00e9ricos. A estes filmes s\u00e3o incorporadas subst\u00e2ncias ativas para exercer a sua efic\u00e1cia, como \u00e9 o caso da mol\u00e9cula conhecida por JR-19, desenvolvida pela equipe do professor do Departamento de Farm\u00e1cia, Ricardo Ol\u00edmpio de Moura, at\u00e9 chegar ao produto final.<\/p>\n<p>O mestrando Amaro C\u00e9sar Lima de Assis, que est\u00e1 \u00e0 frente da pesquisa, revela que os primeiros resultados colhidos no laborat\u00f3rio surpreenderam a equipe. \u201cEsses filmes desenvolvidos passam por todo um processo de caracteriza\u00e7\u00e3o para garantir que realmente o sistema a ser desenvolvido cont\u00e9m essencialmente a celulose extra\u00edda da planta. Esse processo \u00e9 bastante inovador e nossa Universidade \u00e9 pioneira no uso desta planta com essa finalidade\u201d, observou Amaro C\u00e9sar.<\/p>\n<p>Amaro, que \u00e9 graduado em Farm\u00e1cia pela UEPB, destacou que o objetivo final da pesquisa \u00e9 formar um sistema em que o f\u00e1rmaco incorporado tenha uma libera\u00e7\u00e3o prolongada para poder passar mais tempo em contato com a pele e diminuir o inc\u00f4modo dos ferimentos. Por enquanto, o uso da planta para acelerar o processo de cicatriza\u00e7\u00e3o de ferimentos foi testada apenas em animais, mas a pretens\u00e3o da equipe \u00e9, futuramente, fazer testes cl\u00ednicos em humanos. Essa parte, considerada a mais ousada da pesquisa, s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel fazer a partir de parcerias com outras institui\u00e7\u00f5es e financiamentos.<\/p>\n<p>\u201cO principal foco do nosso laborat\u00f3rio \u00e9 desenvolver o produto. Os testes pr\u00e9-cl\u00ednicos e cl\u00ednicos s\u00e3o feitos em parceria com outros laborat\u00f3rios\u201d, observou Bol\u00edvar. O professor enfatizou que a pesquisa pode dar grande contribui\u00e7\u00e3o para a ci\u00eancia, uma vez que vai facilitar o tratamento de pessoas que est\u00e3o com feridas e queimaduras. Ele disse que um dos objetivos do trabalho \u00e9 agregar valor a um produto nordestino resistente a seca e chuva.<\/p>\n<p><strong>Agave usado na redu\u00e7\u00e3o do colesterol<\/strong><\/p>\n<p>Dentro do Laborat\u00f3rio de Desenvolvimento e Caracteriza\u00e7\u00e3o de Produtos Farmac\u00eautico da UEPB, a pesquisa desenvolvida pela estudante Larissa Pereira tem metas ousadas que podem, no futuro, revolucionar a medicina. Utilizando o sisal, a pesquisa, orientada pelo professor Bol\u00edvar Ponciano, visa derrubar as taxas de colesterol no sangue e, consequentemente, diminuir os riscos de acidente vascular cerebral (AVC) e outros desfechos cardiovasculares.<\/p>\n<div style=\"width: 737px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" img-responsive\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Pesquisa-sisal-e-palma-5.jpg?w=840\" width=\"727\" height=\"392\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Celulose extra\u00edda do sisal comp\u00f5e f\u00e1rmaco para reduzir taxa de colesterol<\/em><\/p><\/div>\n<p>A pesquisa \u201cMicropart\u00edculas de acetato de celulose sintetizado a partir de Agave oriundo do semi\u00e1rido brasileiro para a obten\u00e7\u00e3o de sistema de libera\u00e7\u00e3o controlada da sinvastatina\u201d utiliza a celulose extra\u00edda do agave, tamb\u00e9m conhecida como sisal. Ela \u00e9 inicialmente transformada em microemuls\u00e3o para, posteriormente, ser transformada em micropart\u00edculas. O produto passa por um processo de secagem em um equipamento chamado Spray-dryer, restando apenas a parte do p\u00f3, em que o f\u00e1rmaco, a sinvastatina, \u00e9 incorporado na matriz polim\u00e9rica do acetato de celulose. Ap\u00f3s passar por v\u00e1rias etapas, o produto, pronto para ser ingerido, \u00e9 colocado em uma c\u00e1psula de gelatina dura.<\/p>\n<div style=\"width: 737px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" img-responsive\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Pesquisa-sisal-e-palma-9.jpg?w=840\" width=\"727\" height=\"392\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 C\u00e1psulas do f\u00e1rmaco desenvolvido para tratamento de taxas elevadas de colesterol<\/em><\/p><\/div>\n<p>Formada em Farm\u00e1cia pela UEPB, Larissa Pereira afirmou que a ideia da pesquisa \u00e9 diminuir as dosagens dos pacientes que tem taxas elevadas de colesterol e controlar melhor o uso de medicamentos no tratamento. \u201cO objetivo \u00e9 que o paciente tome uma \u00fanica dosagem por dia\u201d, frisou. A pesquisa, fruto da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado da estudante, ainda est\u00e1 e fase embrion\u00e1ria, sendo que os testes pr\u00e9-cl\u00ednicos devem ser feitos em ratos, no C\u00e2mpus da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Patos. O trabalho j\u00e1 foi submetido ao Comit\u00ea de \u00c9tica da UFCG.<\/p>\n<p>Integrante do PPGCF da UEPB, o professor Jo\u00e3o Oshiro destaca o n\u00edvel das duas pesquisas e a contribui\u00e7\u00e3o que futuramente o Laborat\u00f3rio de Farm\u00e1cia da Institui\u00e7\u00e3o pode dar para a ci\u00eancia. Ele ressalta a riqueza da palma forrageira, onde pode ser extra\u00eddo um dos cinco excipientes mais utilizados na ind\u00fastria farmac\u00eautica, que \u00e9 a celulose. \u201c\u00c9 um projeto fant\u00e1stico, de n\u00edvel internacional, e que vai impactar na economia local, uma vez que a palma \u00e9 uma esp\u00e9cie nativa que usa pouca \u00e1gua e n\u00f3s estamos tendo um bom resultado\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>Pesquisas conclu\u00eddas<\/strong><\/p>\n<p>Pelo menos duas disserta\u00e7\u00f5es de mestrado foram conclu\u00eddas no PPGCF usando a palma forrageira. O trabalho pioneiro, coordenado pelo professor Bol\u00edvar Damasceno, foi desenvolvido pelo estudante Jo\u00e3o Paulo Tavares Malheiro e teve como tema \u201cS\u00edntese, Caracteriza\u00e7\u00e3o e Aplica\u00e7\u00e3o do Acetato de Celulose a partir da Palma Forrageira Para Libera\u00e7\u00e3o Modificada de F\u00e1rmacos\u201d.<\/p>\n<p>A outra pesquisa, \u201cMicropart\u00edcula de Acetato de Celulose Sintetizado a partir da Palma Forrageira para a Obten\u00e7\u00e3o de Sistema de Libera\u00e7\u00e3o Controlada do Captopril\u201d, que tamb\u00e9m usa a palma para fins medicinais, foi desenvolvida pela estudante Alana Rafaela Albuquerque Barros.<\/p>\n<p>Na semana passada, a equipe do professor Bol\u00edvar teve um artigo sobre a extra\u00e7\u00e3o da celulose da palma aceito para publica\u00e7\u00e3o em uma revista de alto impacto cient\u00edfico. Com o t\u00edtulo \u201cOpuntia ficus-indica L. Miller (forage palm) as an Alternative Source of Cellulose for Production of Pharmaceutical Dosage Forms and Biomaterials: Extraction and Characterization\u201d (Opuntia ficus-indica L. Miller (palma forrageira) como fonte alternativa de celulose para produ\u00e7\u00e3o de formas farmac\u00eauticas de dosagem e biomateriais: extra\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o), o artigo foi publicado na revista Polymers.<\/p>\n<p><em><strong>Texto:<\/strong>\u00a0Severino Lopes<br \/>\n<strong>Fotos:<\/strong>\u00a0Paizinha Lemos<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/pesquisas-do-laboratorio-de-farmacia-da-uepb-usam-palma-forrageira-e-sisal-para-tratar-lesoes-cutaneas-e-reduzir-colesterol\/\">Link da mat\u00e9ria original na P\u00e1gina da UEPB<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O verde que brota no solo do Sert\u00e3o, Cariri, Agreste e Cumimata\u00fa paraibano ganha forma, nova cor e outras utilidades no Laborat\u00f3rio de Desenvolvimento e Caracteriza\u00e7\u00e3o de Produtos Farmac\u00eauticos (LDCPF) da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB). 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