PPGCF

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Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas

Professores da Universidade Estadual da Paraíba têm projetos aprovados em Edital Universal do CNPq

12 de dezembro de 2018

Os projetos e pesquisas da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) continuam avançando e obtendo novos financiamentos, devido à sua relevância e qualidade. Recentemente, oito professores da Instituição tiveram projetos aprovados no Edital Universal de Financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e receberão incentivos financeiros para o desenvolvimento de pesquisas que contribuam significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico e para a inovação do País, nas áreas de Ciências Humanas, Ciências Sociais e Ciências Sociais Aplicadas.

Os docentes que tiveram projetos aprovados foram: Valéria Raquel Porto de Lima, do Departamento de Geografia; Sheyla Suely, do Departamento de Serviço Social; João Oshiro, do Departamento de Farmácia; Maria da Conceição Menezes Torres, do Departamento de Química; Sérgio Lopes, Rômulo Romeu Alves e Joseline Mollozi, do Departamento de Biologia (todos do Câmpus I); e Francisco Jaime, do Departamento de Ciências Biológicas do Câmpus V.

O projeto “Ferramentas de suporte para reabilitação de reservatórios no semiárido utilizando macroinvertebrados bentônicos em um cenário de mudanças climáticas”, coordenado pela professora Joseline Mollozi, foi contemplado na faixa de financiamento de R$ 120 mil. O objetivo do estudo, segundo a professora, é explorar os padrões de distribuição das comunidades de macroinvertebrados bentônicos em reservatórios, com a perspectiva de elaborar ferramentas de suporte para reabilitação desses ecossistemas frente às realizações climáticas.

Para a realização desse estudo será utilizado um conjunto de dados coletados em 2014 e 2015, período de extrema seca, com informações de 2019, no período pós-chuvas, em seis reservatórios do semiárido paraibano. Professora Joseline explicou que as informações geradas com essa proposta serão utilizadas no biomonitoramento de reservatórios.

Um dos projetos aprovados, “Planejamento, Síntese, Avaliação Farmacológica e Estudos Farmacocinéticos de Aminotiofenos Candidatos a Fármacos Leishmanicidas”, de autoria do professor Francisco Jaime, receberá financiamento na faixa de R$ 60 mil, e trata do desenvolvimento de uma nova droga para o tratamento por via oral das leishmanioses. “A leishmaniose, assim como algumas outras doenças, são consideradas negligenciadas, porque não têm interesse das grandes empresas farmacêuticas mundiais pelo fato de atacar pessoas de países mais pobres e que são assistidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, destacou professor Francisco.

Ele explicou que mesmo acometendo muitos pacientes ao redor do mundo, as grandes empresas continuam insensíveis em buscar o remédio para tratamento e os que existem são antigos e com sérios efeitos colaterais. O projeto é uma continuidade de uma iniciativa coordenada pelo professor Francisco Jaime, desenvolvida com animais. A ideia é concluir os estudos em um período de três anos para iniciar o uso da droga em humanos. Esse trabalho envolve professores da UEPB, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), da Universidade Federal do Piauí e da Faculdade de Ciências e Letras – Unesp Araraquara.

O CNPq aprovou ainda o projeto “Nanofibras híbridas multifuncionais contendo glicose e peptídeo de crescimento osteogênico para regeneração do tecido ósseo”, de autoria do professor João Oshiro. De acordo com o professor, a cicatrização óssea é um processo complexo e um estágio difícil de reconstrução em medicina. Embora este tecido tenha o potencial de auto reparação, em defeitos de tamanho crítico os mecanismos endógenos estão comprometidos, resultando em consequências graves, como desfiguração, perda de função e do membro afetado.

Desta forma, o projeto, aprovado na faixa de financiamento de R$ 30 mil, tem o objetivo de demonstrar que nanofibras de materiais híbridos do tipo ureasil-poliéter podem incorporar e liberar simultaneamente glicose e peptídeo de crescimento osteogênico, que é capaz de estimular a expressão da proteína morfogênica óssea que se liga a receptores nas células mesenquimais e as diferenciam em células osteoprogenitoras. Assim, a inserção de ambos ativos pode conferir um inovador tratamento, permitindo atrair e aumentar a sobrevivência das células mesenquimais no local dos defeitos ósseos.

Outro projeto aprovado, ”Estudo Químico Farmacológico de Plantas Medicinais do Semiárido Nordestino”, de autoria da professora Maria da Conceição Menezes Torres, do Centro de Ciências e Tecnologias (CCT), visa descobrir o potencial de algumas das plantas existentes na região. O projeto foi aprovado na faixa de R$ 30 mil. A professora ressaltou que o bioma caatinga é berço de uma flora rica em plantas medicinais, mas que ainda apresenta muita carência de exploração científica.

Neste contexto, o projeto, com duração de 36 meses, tem como objetivo investigar a composição química de plantas do semiárido nordestino, com indicação de uso medicinal popular, visando o isolamento de novas moléculas bioativas e contribuir para o desenvolvimento de novas drogas. A iniciativa tem caráter interdisciplinar, envolvendo interfaces com outras áreas específicas, bem como tem a possibilidade de repercussão e impacto em outras atividades, como na medicina formal e em práticas populares de prevenção e cura de doenças, como um importante fator social.

Também foi aprovado o projeto “Fatores antropológicos influenciados na caatinga do semiárido paraibano”, de autoria do professor Sérgio Lopes, na faixa de financiamento de R$ 60 mil. A ideia do trabalho é investigar como os fatores climáticos e a interferência humana afetam a caatinga no Cariri do Estado. O projeto será desenvolvido em cidades que têm baixo índice pluviométrico e que sofrem com a longa estiagem e com a depredação. Professor Sérgio observou que a escassez de chuvas não é o único fator que afeta a Caatinga, mas principalmente a ação do homem, por meio dos desmatamentos em pequenas e grandes propriedades rurais, bem como o avanço da criação de caprino.

Nessa região, a extração de madeira é feita em decorrência do avanço da agricultura de subsistência e do crescimento da indústria. O objetivo da proposta é buscar elucidar as espécies preferenciais para cada tipo de categoria de uso pelas populações humanas presentes nessas áreas, bem como analisar a influência de cada categoria de uso sobre a estrutura funcional e filogenética de comunidades vegetais da Caatinga ao longo de um gradiente pluviométrico. “Além disso, esperamos que a baixa disponibilidade hídrica, que atua como um filtro ambiental associado ao uso intensivo de algumas espécies para finalidades específicas, terá efeitos mais severos na riqueza taxonômica e funcional devido a baixa capacidade de resiliência do ecossistema”, projetou o docente.

“Dinâmica dos elementos da paisagem: aspectos para zoneamento ambiental na área de proteção ambiental do Cariri no semiárido paraibano”, de autoria da professora Valéria Raquel Porto de Lima, também obteve aprovação no edital, na faixa de R$ 30 mil, e para desenvolver o projeto a professora tomou como base os dados que mostram que a Paraíba possui 34 Unidades de Conservação, sendo 16 delas geridas pelo Governo do Estado e as demais geridas por proprietários particulares, não existindo no Cariri Paraibano unidade de conservação de gestão federal, evidenciando o déficit com relação à conservação do bioma Caatinga. O objetivo do estudo é fortalecer e consolidar as UCs já criadas, estabelecendo estratégias que assegurem a conservação da biodiversidade e, nas categorias de uso sustentável, um desenvolvimento regional e local.

No edital foi aprovado ainda, na faixa de R$ 30 mil, o projeto “Análise das determinações da ofensiva imperialista sobre o esgotamento do ciclo neodesenvolvimentista e das tendências da seguridade social brasileira a partir do retorno ao Neoliberalismo Ortodoxo”, coordenado pela professora Sheyla Suely, que pretende analisar as determinações da ofensiva imperialista sobre o colapso do ciclo “neodesenvolvimentista” no Brasil e sobre as tendências da seguridade social brasileira, esboçadas a partir do retorno ao neoliberalismo ortodoxo, nos cinco anos pós governo Dilma.

Professora Sheyla observa que no contexto de uma crise estrutural do capital a partir de problemas políticos e econômicos, o Brasil passou a vivenciar uma severa e acelerada agenda de austeridade fiscal e perda de direitos, donde se destacam as aprovações da reforma trabalhista e do congelamento dos gastos públicos; bem como a proposição, ainda em trâmite, da reforma da Previdência. “Nossa expectativa é de que seus resultados permitam aprofundar o acúmulo teórico e o debate acadêmico acerca das temáticas abordadas; indicar as principais determinações e tendências da Seguridade Social brasileira e oferecer subsídios à formação e à intervenção crítico propositiva dos profissionais que atuam no âmbito das políticas sociais, com destaque para a área do serviço social e demais profissões das ciências sociais aplicadas”, frisou Sheyla.

O projeto “Comercialização e uso de animais silvestre no Brasil: aspectos etnozoológicos e conservacionistas”, de autoria do professor Rômulo Romeu Alves, do Departamento de Biologia, também foi aprovado no Edital Universal do CNPq. O estudo representa uma continuidade dos estudos etnozoológicos que vêm investigando atividades de captura de animais, usos e comercialização da fauna silvestre, bem como o contexto sócio-econômico-cultural em que se dá a utilização e comercialização desses recursos faunísticos no país.

Segundo professor Rômulo, a partir das informações obtidas, espera-se caracterizar o contexto cultural e socioeconômico associado às interações pessoas/animais silvestres e, desta forma, contribuir com a implementação/aprimoramento de políticas públicas direcionadas ao manejo da fauna silvestre, como, por exemplo, na implementação de planos de manejo e conservação das espécies exploradas e ameaçadas.

A pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da UEPB, professora Maria José Lima, disse o resultado do edital do CNPq traduz a qualidade dos projetos e pesquisas da Instituição. Ela enfatizou que os tempos são difíceis, devido aos cortes de financiamentos de bolsas e incetivos a projetos, e que para conquistar uma verba externa os trabalhos precisam ser muito bons. “Estamos em um cenário no qual nacionalmente não se tem recursos. Para ganhar um recurso lá fora, significa que os trabalhos realmente têm excelência”, salientou. Para a professora, esse incremento no incentivo à pesquisa na Instituição é muito positivo, especialmente pelo difícil cenário que a Educação vem passando nos últimos anos.

Os projetos selecionados terão um financiamento nas faixas de R$ 30 mil, R$ 60 mil e R$ 120 mil, de acordo com os critérios estabelecidos pelo CNPq, com vigência de três anos. As propostas aprovadas foram avaliadas nos critérios de excelência quanto aos aspectos científicos, tecnológicos e de inovação, dos pontos de vista da qualidade e originalidade do projeto. A Chamada Universal é uma das principais formas de democratizar o fomento à pesquisa científica e tecnológica no País, contemplando todas as áreas do conhecimento.

Texto: Severino Lopes

Link da matéria original no site da UEPB

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